Ô DÓIDO!!!!
Depois de muita vorta no mundo, tô aqui na casa de Cumadre Vera e Cumpadre João pra gente a mode prosear, comê angu com quiabo e beber água de alambique. O vento leva a gente como semente e semeia os sonhos pela estrada num sabe. Meu cumpadre e Comadre pareciam que nem me conheciam, olhavam meio de lado quando um homem de barba mais branca se achegou na frente da porteira. Mesmo depois de tanto tempo, amigo bão parece que se viu ontem. Não perde a carga, nem a esperança. Papo tinha pra dar a vorta em dois mundo e ainda ficar esperando o próximo por do sol. Como de costume, ficamo até altas horas da madrugada proseando e jogando conversa fora com aquelas modas da pesada. O homi bão esse tal de Almir Sater! Negoço fino viu esse conjunto de 20 modas que o Cumpadre João juntou! Comadre Vera fica só rindo, olhando para as estrelas e para o cantinhos de céu que só uivado de cão chega!!! Nóis, eu e Cumpadre João, tamo rindo feito abobado por causa da marvada. Não espera, baixa logo esse trem bão sô! O princípio de uma boa noite é ter gente que se gosta e música que se conversa com a alma!
Contos & Cunhas
Cunha.s.f. Peça Triangular de metal ou de madeira que se introduz numa brecha para rachar, ou calçar, ajustar e/ou nivelar algo. " tá que nem cunha, tá entrando e não tá cabendo" (Uma cunha do Brasi)
Com extrema coragem e perspicácia, montados em cavalos, charretes e em carros de bois, a caravana chegou a uma baixada e até hoje, passados mais de 80 anos do célebre ato, ainda se encontram no local e são símbolos históricos de que o meio rural/florestal é o melhor lugar para se viver. Diante da dificuldade de acesso à vila, ficaram praticamente isolados por mais de 40 anos fazendo com que desenvolvessem um linguajar próprio e modos específicos de sobrevivência. Atualmente, são famosos por produzirem o melhor café da região e uma cachaça mardita de boa...
4 de set. de 2026
Almir Sater by Kbsa
8 de abr. de 2026
Pesadelo na Roça
Depois que o meu amor partiu
Perdi o encanto com os pássaros
Com a mata
Meu pé de flamboyant
Nem mesmo regar as plantas pela manhã
Ou cuidar dos cachorros de caça
Ver as mudas que plantei no pasto
O gado, o trado e a garapa
A saga com um pé de maçã
Espiar as pontas das montanhas e construir uma carroça
Tudo isso aqui agora parece um pesadelo na roça
E aquilo que um dia foi o lugar mais lindo do planeta
Agora é um estorvo sem alma e beleza. (L.C)
27 de mar. de 2026
Almir Sater - Boiada
30 de jun. de 2025
Trifurcado
Seus passos sem pio
Sem som,
sem grave
O beija
flor e o canto
A flor e o
espanto, o aço
Seus sonhos sem trilhos
Sem filtro, sem trave
O amor e o
rito
O riso, a flor, o espaço.
O caminho
da espera feliz
Vem do meu peito trifurcado
O cheiro,
identifica o nariz
O passo maior é o sonho realizado
Maior força motriz
Por quem sonha e não pelo mercado.
8 de mai. de 2025
A Estrada da Pedreira
Nada passa pela estrada da pedreira. Nem um carro de boi, um cavalo, um trator, nem uma viva alma. Só os arbustos no alto da pedreira é que balançam como se fossem cachos. Nas fendas, alguns ninhos abandonados. Até o padre Júlio que vinha sempre e andava por aí desesperado para encontrar pagãos e trazer mais pessoas para a pequena igrejinha da cidade, já não passa. Nesse lugar, nem cachorro perdido dá o ar da graça, imagina gente viva! Aqui até o silêncio tem um barulho seco e as árvores parecem que a qualquer momento vão abrir os olhos, como se fossem árvores fantasmas que estão por ali desde os imemoriais tempos da criação. Em meio a desolação, casas de meia parede ou restos de construção denotam que em um tempo distante havia passagem, espera. Até o riacho que passa sobre a ponte desgastada, parece cansado de esperar, de enviar água para um lugar de ninguém. Lugar assim é como deserto: nada dá e tudo cerra. Invade em nosso peito algo mais do que é perpetrado pela paisagem que se repete a cada hora como um retrato eterno do nada. Não ouço mais gente, só pegadas, sons orquestrados da floresta que é viva e que sem gente fica ainda mais bonita. Durante muito tempo, só o Sr. Olival ficava a derrubar árvores, fazer lenha pra vender com dificuldade na cidade. Fez muita derrubada, até que um dia uma sucupira deu volta ao bater em um cipó e caiu sobre o pobre homem. Os companheiros logo gritaram e trouxeram o corpo mirrado do Sr. Olival para a estrada. Ninguém passou. Por horas esperando, resolveram fazer uma via cruzes até a cidade na noitada. Além dos companheiros de derrubada, mais ninguém. Depois disso, a floresta cresceu, ninguém mais por aqui se perdeu, o mundo se encolheu como uma aranha caranguejeira quando fica em perigo. Mais nada tinha de ser cortado ou falado, a estrada se tornou aos poucos um corredor cada vez mais fechado, intrincado de pedras, galhos, aves diversas, arbustos encolhidos cravados na pedra como tatuagem. Na cidade começaram a falar que aqui era assombrado, que a estrada engolia quem passava pelos seus lados, que abria uma fenda sobre as pedras e para sempre se fechavam, que uma velha viúva vigiava no alto, na curva onde virava o riacho e que apareciam bichos da noite como porcos endiabrados, tomados por almas perdidas cheias de pecado. Em uma parte da estrada, em um pé de árvore cravada na pedra mais alta, uma surrada placa de madeira avisava: Quem tem medo, deixa de bobagem, o caminho é incerto e quem busca a cura, há de ter coragem. Pedra que é pedra não se espalha.
6 de abr. de 2025
13 de set. de 2024
O Sol é um Menino
21 de mai. de 2024
Canto Velho
Pintura: " As Cores do Silêncio" de Julieta Barreiro
O que tenho por aqui é
um canto velho
O conto do que vivi e dos que
já se foram
O apreço do cansaço e o pouso do consolo
O canto do canário e dos
homens que voam
A serra do brigadeiro e o
grupo de cavaleiros
Com seus animais exaustos a
beira de um poço
O que tenho para dizer é dos
tempos que não voltam, que não ressoam.
Sobras pueris
de um conto velho
Guardado no chapéu preto do
meu avô
No tacho de cobre de minha avó
Na estrada poeira do barreiro, esplendor.
Canto velho, Morro Grande
Casca Ferro, Serra do diamante
Mouro de Cego, Faca Cortante
Floresta de Cedro, Cavalo Errante.
(L.C)
29 de fev. de 2024
Banda de Pau e Corda - Entre a Flor e a Cruz [2023]
Vim visitar depois de muito tempo, compadre João e Comadre Vera e num é que cheguei e eles tavam ouvindo uma viola danada! Falei: - Que música é essa compadre? - Ora! é a banda de Pau e Corda! Ficamo bebinzinho por causa de umas marvadas, o tal da flor e da cruz tocou girando o mundo. E agente bebeu e comeu até quando deu. E vortei pra casa alegre, arrodeado de estrelas!
Banda de Pau e Corda - Entre a Flor a a Cruz: Disco lançado em 2023, comemorando 50 anos da banda Pau e Corda. Trabalho classudo e popular, o álbum conta com a participações de Lenine, Padre Fábio de Mello, Fagner e Marcos Valle.
18 de out. de 2023
Resposta do Jeca Tatu
"Resposta do Jeca Tatu". Homenagem ao saudoso Rolando Boldrin, patrimônio da cultura brasileira.





