ESTE ESPAÇO É DE VALORIZAÇÃO CULTURAL DOS MODOS DE VIDA DOS AGRICULTORES FAMILIARES, RIBEIRINHOS, POVOS TRADICIONAIS E INDÍGENAS DO BRASIL.

Os "Cunhas do Brasil" são uma família imensa que vive entre uma cadeia de montanhas na Zona da Mata de Minas Gerais. Dá-se conta que os primeiros Cunhas chegaram por volta da década de 30 e já tornariam famosos nas redondezas, a partir de uma missão ousada e empreendedora de conquista: A temida subida de uma enorme montanha que ficava ao pé da vila - ficou conhecido como Morro do São Luiz. Os Cunhas queriam é ficar na roça!
Com extrema coragem e perspicácia, montados em cavalos, charretes e em carros de bois, a caravana chegou a uma baixada e até hoje, passados mais de 80 anos do célebre ato, ainda se encontram no local e são símbolos históricos de que o meio rural/florestal é o melhor lugar para se viver. Diante da dificuldade de acesso à vila, ficaram praticamente isolados por mais de 40 anos fazendo com que desenvolvessem um linguajar próprio e modos específicos de sobrevivência. Atualmente, são famosos por produzirem o melhor café da região e uma cachaça mardita de boa...
...e não duvide: vivem felizes e satisfeitos assim como sabiá cantando!

8 de abr. de 2026

Pesadelo na Roça

Imagem: Shota Imerlishvili

Depois que o meu amor partiu

Perdi o encanto com os pássaros

Com a mata

Meu pé de flamboyant

Nem mesmo regar as plantas pela manhã

Ou cuidar dos cachorros de caça

Ver as mudas que plantei no pasto

O gado, o trado e a garapa

A saga com um pé de maçã

Espiar as pontas das montanhas e construir uma carroça

Tudo isso aqui agora parece um pesadelo na roça

E aquilo que um dia foi o lugar mais lindo do planeta

Agora é um estorvo sem alma e beleza. (L.C)

27 de mar. de 2026

Almir Sater - Boiada

 

Essa música é a minha preferida na discografia de Almir Sater! Boiada tem letra de Renato Teixeira e arranjo do Almir Sater. Ô trem bão sô!

30 de jun. de 2025

Trifurcado

Pintura: Diego Salvador Ojeda

Seus passos sem pio

Sem som, sem grave

O beija flor e o canto

A flor e o espanto, o aço

Seus sonhos sem trilhos

Sem filtro, sem trave

O amor e o rito

O riso, a flor, o espaço.

 

O caminho da espera feliz

Vem do meu peito trifurcado

O cheiro, identifica o nariz

O passo maior é o sonho  realizado

Maior força motriz

Por quem sonha e não pelo mercado.


8 de mai. de 2025

A Estrada da Pedreira

Imagem: Paul Cézanne

Nada passa pela estrada da pedreira. Nem um carro de boi, um cavalo, um trator, nem uma viva alma. Só os arbustos no alto da pedreira é que balançam como se fossem cachos. Nas fendas, alguns ninhos abandonados. Até o padre Júlio que vinha sempre e andava por aí desesperado para encontrar pagãos e trazer mais pessoas para a pequena igrejinha da cidade, já não passa. Nesse lugar, nem cachorro perdido dá o ar da graça, imagina gente viva! Aqui até o silêncio tem um barulho seco e as árvores parecem que a qualquer momento vão abrir os olhos, como se fossem árvores fantasmas que estão por ali desde os imemoriais tempos da criação. Em meio a desolação, casas de meia parede ou restos de construção denotam que em um tempo distante havia passagem, espera. Até o riacho que passa sobre a ponte desgastada, parece cansado de esperar, de enviar água para um lugar de ninguém. Lugar assim é como deserto: nada dá e tudo cerra. Invade em nosso peito algo mais do que é perpetrado pela paisagem que se repete a cada hora como um retrato eterno do nada. Não ouço mais gente, só pegadas, sons orquestrados da floresta que é viva e que sem gente fica ainda mais bonita. Durante muito tempo, só o Sr. Olival ficava a derrubar árvores, fazer lenha pra vender com dificuldade na cidade. Fez muita derrubada, até que um dia uma sucupira deu volta ao bater em um cipó e caiu sobre o pobre homem. Os companheiros logo gritaram e trouxeram o corpo mirrado do Sr. Olival para a estrada. Ninguém passou. Por horas esperando, resolveram fazer uma via cruzes até a cidade na noitada. Além dos companheiros de derrubada, mais ninguém. Depois disso, a floresta cresceu, ninguém mais por aqui se perdeu, o mundo se encolheu como uma aranha caranguejeira quando fica em perigo. Mais nada tinha de ser cortado ou falado, a estrada se tornou aos poucos um corredor cada vez mais fechado, intrincado de pedras, galhos, aves diversas, arbustos encolhidos cravados na pedra como tatuagem. Na cidade começaram a falar que aqui era assombrado, que a estrada  engolia quem passava pelos seus lados, que abria uma fenda sobre as pedras e para sempre se fechavam, que uma velha viúva vigiava no alto, na curva onde virava o riacho e que apareciam bichos da noite como porcos endiabrados, tomados por almas perdidas cheias de pecado. Em uma parte da estrada, em um pé de árvore cravada na pedra mais alta, uma surrada placa de madeira avisava: Quem tem medo, deixa de bobagem, o caminho é incerto e quem busca a cura, há de ter coragem. Pedra que é pedra não se espalha.

6 de abr. de 2025

Barreira

 

Vídeo: Leo Lopes - Rio Madeira, Comunidade Barreira do Matupiri, Manicoré/AM. Março 2025.

13 de set. de 2024

O Sol é um Menino

                                                                    Obra: Tarsila do Amaral

O sol ardia. Não haveria ser humano capaz de enfrentar aquele sol rançoso, cuspindo fogo sobre essa terra pobre de meu Deus...que de pesar, eu não nego, nem tenho mais impaciência: quero viver lutando sob esse sol que castiga minha carcaça, deixa pobre e triste minhas éguas, invade os cantos da vagem e depois esconde atrás do alto dos incertos. Em nenhum momento me darei por vencido, nem na hora da morte e muitos menos nas horas que permeiam a vida. Nesse negócio de vida, mistério é pouco, certeza é bobagem. De cabeça na viola e na minha amada Ritinha, arremato a imaginação de um foguete, voando mais próximo desse sol que é soberano e menino. Penso que se anote:  Não inveje o tempo que se passa, mas se prenda no tempo em que se principia. Não sou vaqueiro, nem tenho o dom do mote. Mas, sei reaver umas poesias a tira gosto no pasto ao frescor do vento, do cheiro de mato que circunda o meu rancho pequeno. Também sei viver só com umas modas e poucas galinhas e escuto os cachorros no fundão da madrugada, fazendo um coral uivante sobre a lua nova. Antes de nascer o sol na terra, esse sol já nasceu dentro de mim. Sou filho de Antônio e Maria, mas também do Ipê e da Samaúma. Não concluo nada, só espreito o som da orquestra de sapos que vem do brejo. Quem fala muito, nada sabe. Quem escuta com atenção é sábio modesto. Se ao cair da noite, a fogueira encobre o céu, uma estrela cai no fundo da grota decerto. Nunca fui homem de sondar o passado, sou mais chegado em vislumbrar o universo. Nem sujeito de falar alto, pra que nem os cachorros farejem às alegrias e os inversos.

(Leo Canaã)

21 de mai. de 2024

Canto Velho

Pintura: " As Cores do Silêncio" de Julieta Barreiro


O que tenho por aqui é um canto velho
O conto do que vivi e dos que já se foram
O apreço do cansaço e o pouso do consolo
O canto do canário e dos homens que voam
A serra do brigadeiro e o grupo de cavaleiros
Com seus animais exaustos a beira de um poço
O que tenho para dizer é dos tempos que não voltam, que não ressoam.
Sobras pueris de um conto velho
Guardado no chapéu preto do meu avô
No tacho de cobre de minha avó
Na estrada poeira do barreiro, esplendor.
Canto velho, Morro Grande
Casca Ferro, Serra do diamante
Mouro de Cego, Faca Cortante
Floresta de Cedro, Cavalo Errante.

(L.C)

29 de fev. de 2024

Banda de Pau e Corda - Entre a Flor e a Cruz [2023]

 


Vim visitar depois de muito tempo, compadre João e Comadre Vera e num é que cheguei e eles tavam ouvindo uma viola danada! Falei: - Que música é essa compadre? - Ora! é a banda de Pau e Corda! Ficamo bebinzinho por causa de umas marvadas, o tal da flor e da cruz tocou girando o mundo. E agente bebeu e comeu até quando deu. E vortei pra casa alegre, arrodeado de estrelas!

Banda de Pau e Corda - Entre a Flor a a Cruz: Disco lançado em 2023, comemorando 50 anos da banda Pau e Corda. Trabalho classudo e popular, o álbum conta com a participações de Lenine, Padre Fábio de Mello, Fagner e Marcos Valle.

Baixar aqui Banda Pau e Corda - Entre a Flor e a Cruz

18 de out. de 2023

Resposta do Jeca Tatu

 

"Resposta do Jeca Tatu". Homenagem ao saudoso Rolando Boldrin, patrimônio da cultura brasileira.

15 de jun. de 2023